Publicidade de carros e responsabilidade social
Publicado por comusnovomilenio em 4 Abril, 2007
Vale a pena ler e pensar nosso papel.
Abs e Boa Páscoa!
Fábio
Dirigir com moderação
Publicidade de empresas automobilísticas se esquiva de sua responsabilidade social
Sábado, 31 de março de 2007, 08h11
Paulo Nassar
Há transcendência no conteúdo das mensagens das empresas, quando se dirigem aos seus públicos, entre eles os consumidores.
Exemplo: um comercial de televisão, veiculado atualmente em São Paulo, promove a venda de um automóvel, em condições comerciais “imbatíveis”.
No filme, marido e mulher dialogam sobre a necessidade da compra de um carro novo. Segundo a mulher, o carro do casal está em boas condições de uso. Diante do argumento, o homem se levanta, sai, destrói seu carro e remove o obstáculo e a razoabilidade do argumento da mulher.
No mesmo período, viram-se na telinha outros comerciais de automóveis, que induzem ou sugerem um comportamento irresponsável e criminoso no trânsito.
Parte das empresas automobilísticas e os seus publicitários parecem não viver neste mundo. Posicionam-se desconhecedores, alheios, insensíveis às discussões sobre sustentabilidade, que traz em seu cerne os aspectos econômico, social e ambiental.
Ora, nunca se falou tanto em consumo responsável, redução de desperdícios, difusão e reforço de práticas cidadãs, principalmente no ambiente de cidades conflagradas pela violência e pelo desrespeito ao outro.
Mesmo assim, os anúncios, principalmente de televisão, vão na contramão, incentivam a destruição de bens e da natureza. Isso alimenta idéias medievais, vozes que defendem o controle do Estado sobre o conteúdo dos meios de comunicação. Enfraquece a boa e comprovada prática da auto-regulação.
Entidades como o Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária (CONAR) deveriam promover uma discussão interna sobre as disfunções publicitárias, como estas, antes que o assunto caia nas mãos do legislador e do burocrata inquisitoriais, portadores de inaceitáveis tesouras de censura.
Existem outros casos de comerciais de automóveis, na mesma direção ofensiva. Alguns trazem um selo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (IBAMA), uma chancela oficial que não justifica, minimiza ou legitima cenas do carro em alta velocidade em praia deserta, no campo, escalando pedra imemorial.
Esquecem-se do básico: a exemplaridade, o impacto que produzem no ambiente e no comportamento das pessoas. Os comerciais de automóveis têm transitado entre os argumentos técnicos a agressão à civilidade e sensibilidade.
Em tempo de congestionamentos gigantescos em boa parte das cidades brasileiras, de aquecimento global, de responsabilidade, coerência e transparência, é hora das montadoras sugerirem “dirija com moderação”.
Paulo Nassar é professor da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE). Autor de inúmeros livros, entre eles O que é Comunicação Empresarial, A Comunicação da Pequena Empresa, e Tudo é Comunicação.
Fale com Paulo Nassar: paulo_nassar@terra.com.br
Esta entrada foi publicada em 4 Abril, 2007 às 8:46 pm e é arquivado em comunicação social, publicidade, publicidade on line. Você pode seguir qualquer respostas para esta entrada através de RSS 2.0 feed. Você pode deixe uma resposta, ou trackback do seu próprio site.
ELAINE disse
Olá, Paulo, li seu artigo e estou a procura de ajuda, pra cobrar responsabilidade de empresa automobilistica, em questão a RENAULT, pois sou vítima do descaso e da ineficiência desta empresa. Comprei um carro 0km de lañçamento LOGAN, meu carro foi liberado pelo controle de qualidade da fábrica e da concessionária em que comprei o mesmo faltando 7 mangueiras do ar quente. Meu carro está há 32 dias parado na concessionária, pois a fábriuca não possui “ABRAÇADEIRAS” para fixar as mangueiras. Não consigo contato direto com um departamento de Diretoria, pois o SAC é ineficiente. Possuo diversos documentos que comprovam este problema.
Se você tiver como me auxiliar, agradeço.
Grata,
Elaine