Comunicação Social – Novo Milênio

Blog do Curso de Comunicação da Faculdade Novo Milênio

Debate entre professores

Caros todos,

Na lista de emails dos professores do curso de Comunicação, lancei uma faisca para discutirmos a participação da Imprensa na crise aérea. Leiam abaixo o que colocamos. Ficou longo, mas ninguem é obrigado a ler tudo até o fim. Está na ordem de chegada do mais recente para o mais antigo.

Quem sabe não marcamos um debate presencial para esse e outros assuntos?

Abs,

Fábio

Se fizermos um balanço do que temos de positivo e do que temos de negativo, segundo a imprensa atual, certamente chegaremos a números surprendentes. As desgraças imperam os noticiários nacionais e internacionais. Desde os políticos “amontuados” numa só panela de corruptos, sem diferenciação, até o tráfico de drogas e as invasões no Morro do Alemão podemos considerar produtos altamente vendáveis.

Não quero dizer que estas situações não devam ser tema dos noticiários, mas não podem ser seu carro chefe só porque geram mais audiência. Alguém pode até dizer que o tempo é cuto e que os fatos precisam ser divulgados… Não discordo, mas quando vejo o Jornal Nacional perder quase quatro minutos do seu precioso tempo para mostrar a preferência de uma gorila por copular com um novo macho, ou quando a discussão é se o pai do filhote de hipopótamo é o macho alemão ou o brasileiro, pois este é mais jovem e é da terra, sinceramente me pergunto: “Que jornalismo é esse?”

Que espaço estamos dando para as boas iniciativas? Onde está o papel educativo do jornalismo? Será que o encontraremos no Linha Direta?

Alessandro Gomes

O debate está bom… Fica para todos a sugestão do Frechiani: vamos montar uma mesa para discutir isso com os alunos?

Que bom ter um comentário do nosso correspondente internacional. Eduardo, beleza de observações.

Agora acredito que a imprensa internacional só precisa enxergar o que interessa. Sejamos sinceros, o Brasil não tem relevância no cenário internacional, assim como o ES não tem relevância no cenário nacional. Sendo assim, aplica-se a regra do jornalismo: um cachorro vira-lata morder alguém na rua, não é notícia. Alguém morder um cachorro na rua é notícia. O ordinário não tem vez nos jornais, seja no Brasil ou na Espanha, ou nos EUA. Como o Brasil está para o mundo assim como o ES está para o Brasil, somente seremos notícia se algo extra-ordinário acontecer. E as tragédias sempre são extra-ordinárias. Por isso as primeiras páginas nos jornalóes mundo a fora: “Fire ball”, reproduziram por aí.

Frechiani, quanto ao modo de atuação da imprensa internacional, de fato não há nada de novo. Nós seguimos o modelo norte-americano de produção de notícia, que se tornou padrão mundial: a pirâmide invertida. Imparcialidade, isenção… blá, blá, blá. São aqueles que o Nelson Rodrigues chamou de “idiotas da objetividade”. Tenta-se vender a isenção como se ela fosse possível. Esse é o ponto. É preciso fazer imprensa de um modo diferente. Segue um pedacinho do que tento falar sobre o jornalismo.

“A busca da ‘objetividade’ significava a eliminação de qualquer bijuteria verbal, de qualquer supérfluo, entre os quais os pontos de exclamação das manchetes – como se o jornal não tivesse nada a ver com a notícia. Suponha que o mundo acabasse. O Diário Carioca teria de dar essa manchete sem um mínimo de paixão. Nelson, passional como uma viúva italiana, achava aquilo um empobrecimento da notícia e passou a considerar os ‘copy-desks’ os ‘idiotas da objetividade’”. (Ruy Castro, O anjo pornográfico – a vida de Nelson Rodrigues)

   

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Fábio Gomes Goveia

Coordenador do curso de Comunicação Social

Faculdade Novo Milênio

(27) 3399 5582

—–Mensagem original—–
De:
Frechiani [mailto:rfrechiani@yahoo.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 6 de agosto de 2007 22:58
Para:
prof-comus@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: Re:RES: Re:[prof-comus] Acidente da TAM, cobertura da Imprensa

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Dudu,

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Excelentes comentários. Parece que há um consenso Nacional e Internacional sobre os problemas do governo ou será que a imprensa estrangeira, também, estaria atuando como a nacional??

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Valeu Dudu,

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Abs.

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Frechiani

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—– Original Message —–

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From: Eduardo Ambrósio Barroso

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To: prof-comus@yahoogrupos.com.br

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Sent: Monday, August 06, 2007 6:24 PM

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Subject: Re:RES: Re:[prof-comus] Acidente da TAM, cobertura da Imprensa

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Olá a todos!

Mesmo estando um “pouco” longe do Brasil todos os dias acompanho as notícias em diversos sites brasileiros e extrangeiros, principalmente os espanhois. A imagem do governo brasileiro aqui na espanha é a de um verdadeiro baile de máscaras que no final da festa as máscaras sempre caem…

Alé de estar estudando, sinto que estou aqui representando meu país. Lendo os jornais fico um pouco triste, nunca vejo uma notícia boa sobre o governo brasileiro, seja sobre a famosa crise aérea, com uma cobertura muito grande aqui na europa, seja da marcha contra o governo “organizada pela oposiçao, mas sem a presença deles..”, a amizade ”NAO tomá – lá – mas mesmo assim me da cá” de Evo Morales e Hugo Chaves com o presidente, seja o caso Renan Calheiros, sejam as intermináveis piadinhas sobre os ministros corruptos “amigos de infancia” do presidente no primeiro mandato, e até sobre as vaias ao presidente nos jogos Panamericanos… bom os casos sao muitos e as notícias aqui, inclusive feitas pelos principais jornais como El País, El Mundo, La Vanguardia ou até o jornais gratis, verdadeira febre espanhola, nunca colocam nada de bom sobre o governo brasileiro… porque será?

Apenas coloco a visao de quem esta um tempo fora e acompanha diariamente a cobertura da imprensa Brasileira, Espanhola, Portuguesa e Inglesa e verdadeiramente soam muito parecidas…

Meu amigo Alessandro, descordo sobre o comentário que generaliza os especialistas de áreas. Em minha modesta opiniao, (por favor me corrija se eu estiver equivocado) de forma alguma eles prestam um desservicio a populaçao, pelo contrário eles buscam melhorar sua funçao para que prestem um bom servicio. Digamos que seja um dos muitos motivos da existencia dos cursos de pós-graduaçao.

Desculpem a falta de acentos e outros, teclado español…

Grande abraço a todos!Eduardo Ambrósio >

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From: “gomesalessandro” <gomesalessandro@uol.com.br>
Reply-To: prof-comus@yahoogrupos.com.br
To: “prof-comus” <prof-comus@yahoogrupos.com.br>
Subject: Re:RES: Re:[prof-comus] Acidente da TAM, cobertura da Imprensa
Date: Mon, 6 Aug 2007 15:17:23 -0300

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Fábio,

Talvez eu tenha me expressado mal. Quando falo dos especialistas quero dizer daqueles que têm boa formação no curso de comunicação, daqueles que podiam viver o jornalismo das redações dia após dia sem precisar dos “bicos” (inclusive em outras áreas) para sobreviver. Falo da liberdade e do profissionalismo, não do emprego.

Concordo com você. Os especialistas de áreas muitas vezes prestam um desserviço ao público.

Alessandro Gomes.

Caros,

Para começar bem a segunda-feira, nada como uma boa discussão (já estava com saudades dos embates entre nossos decanos Frechiani e Alessandro).

Mas vamos ao que interessa:

1-       Parece que o comentário do Frechiani simboliza bem o momento da imprensa em sua maioria no Brasil: qualquer coisa que aconteça é culpa do PT ou do Lula. Vi neste fim de semana uma matéria ligando até a ponte que desabou nos EUA com o presidente brasileiro. Disse o apresentador: “Olha o que pode acontecer no Brasil se o governo federal continuar não cuidando de nossas pontes”… ou… “O governo federal liberou XX milhões para o PAC do saneamento básico… mas não liberou ainda o dinheiro das estradas… olha a ponte sobre o rio Mississipi”…. Ora, ou o mundo está como está por causa do Lula ou há algo de errado em nossa imprensa…

2-       O caos aéreo é uma tragédia. Mas só ganha as paginas e horas a fio dos telejornais porque atinge diretamente os pontos de poder. E isso se reflete nos noticiários. Durante muitos anos o país teve “zero” investimento em infra-estrutura viária ou ferroviária. Mas como esses gargalos são menos perceptíveis, a imprensa fica (de certa forma) calada. Não temos o reboliço que há no caso aéreo. E as coberturas de tragédias diárias nas estradas? E as apurações dessas mortes? Fica tudo esquecido. A pauta do dia seguinte é outra.

3-       A condenação apressada, a busca por culpados, a certeza da verdade. Todos os ingredientes para uma boa aula de como não se fazer jornalismo. Aliás, Será que sou eu que estou crítico ou não vejo jornalismo na maioria dos jornais brasileiros (quiçá mundiais!). Estamos numa roda-viva que não permite aos profissionais o contato necessário com as fontes. Nem a acuidade com os dados. Uma coisa é você colocar as possíveis causas de um acidente. A especulação é válida. Outra é afirmar categoricamente que um avião aquaplanou, que o piloto não fez seu trabalho direito, que as ranhuras …, que o LULA…, que os controladores…, que a Aeronáutica…, que a CPI…, que as filas…, que os mortos… Mas ate agora ninguém (!) disse claramente que pode haver ligação entre uma seguencia de acidentes com aeronaves da TAM. Isso não é julgamento, mas parece que a imprensa não toca nessa possibilidade. O que há? Investigar requer tempo, mas também interesse.

4-       Alessandro, discordo de você. Não tenho saudade do jornalismo com os especialistas. Os especialistas são uma praga, pois apenas são usados para confirmar a verdade já estabelecida pelo jornalista. Ninguém leva em seu programa um sujeito com opinião oposta à linha que ele quer defender. E quando essas pessoas são ouvidas, é a fala destoante, o que serve para confirmar as afirmações anteriores. Que se acabem com os especialistas e inventem outra forma de fazer jornalismo.

5-       Dou aula de Ética. Palavra difícil, mas fundamental. Ética é questionar sempre. Então um bom jornalista jamais deve se furtar à dúvida. Por que os jornalistas tem de estar certos sempre? Fica a dica para os profissionais da área.

Acho que é isso…

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Fábio Gomes Goveia

Coordenador do curso de Comunicação Social

Faculdade Novo Milênio

(27) 3399 5582

—–Mensagem original—–
De: Frechiani [mailto:rfrechiani@yahoo.com.br]
Enviada em: sábado, 4 de agosto de 2007 21:01
Para: prof-comus@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: Re:[prof-comus] Acidente da TAM, cobertura da Imprensa

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Meu Povo,

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Falta ao nosso presidente(PT) capacidade gerencial, planejamento estratégico e novos critérios para indicação de cargos comissionados.  

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Tudo o que está acontecendo é  fruto dos empregos criados para Peti$ta$, na maioria das vezes despreparados para o cargo e da aliança, na busca da governabilidade,  com as velhas raposas do Fisiológico PMDB.

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O PAC está emPACado, e só resta ao presidente dizer sempre que NÃO SEI DE NADA e outras desculpas sem nexo.

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Sinceramente, gostaria que o Airbus acidentado fosse outro.

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—– Original Message —–

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From: gomesalessandro

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To: prof-comus

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Sent: Saturday, August 04, 2007 8:05 PM

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Subject: Re:[prof-comus] Acidente da TAM, cobertura da Imprensa

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Meu povo,

É triste concordar que vivemos um “novo momento” da imprensa brasileira. Trista porque a imprensa que nos “anos dourados” e de várias outras oportunidades, principalmente da redemocratização do país, onde esta atuou de forma exemplar, infelizmente, parece ter perdido o foco… Ou descoberto um novo foco, talvez.

Está claro que existe um bombardeio sem crtérios técnicos e completamente tendencioso. Quando os Willians e a Fatimas entram em nossas casas o fazem personificando o JULGADOR, ou melhor, o SENTENCIADOR, pois os fatos nem julgados estão sendo, mas imediatamente dados como verdadeiros.

O caso da TAM é só mais um. Fois no caso da Escola de Base o nosso momento de ascender o farol amarelo. Neste epsódio pudemos ter a certeza do sentenciamento antecipado. Nossos veículos apelaram para o MKT de Oportunidade usando a forma cruel possível de domínio – a ignorância e a violência. Senão bastasse, nossas redações têm uma rotatividade enorme, não dá tempo para preparar os profissionais e os veículos estão mais comprometidos do que nunca com anunciantes em busca de audiência.

No caso do caos aéreo (que é real e já se agrava a mais de 10 anos) tem uma tentativa de retomada do controle dos meios (grandes redes) sobre as ações do Governo. A cisão feita pelo presidente não agrada. “Nunca na história desse país” um presidente se credenciou para denunciar, questionar e peitar a imprensa publicamente. Isso incomoda a quem sempre teve poder absoluto sobre as decisões dos governos. Que não seja pela sua forma de governar, mas aplaudamos a iniciativa do Lula com relação a politicagem e à busca desenfreada dos jornalistas “pelo que se vende mais”.

Por outra via enxergamos a uma concorrência que puxa a qualidade pra baixo. Uma concorrência que não se preocupa com o certo ou com o errado, que não se preocupa coma formação e nem com a aimformação, mas prioritáriamente com o show.

Que saudades do jornalismo investigativo, dos especialistas e do respeito ao público!

Alessandro Gomes

Caros,

Tentei mas não consegui deixar de comentar a cobertura da Imprensa no caso do último acidente da TAM. Queria colocar essa discussão no nosso grupo para pensarmos como anda nosso sistema de Comunicação Social (será que é social mesmo?).

Para pensarmos, segue uma boa análise do Luis Nassif.

Abs,
Fábio

Em luisnassif.blig.ig.com.br

02/08/2007 07:00Os erros da cobertura apressadaColuna Econômica – 02/08/2007No meu livro “O Jornalismo dos anos 90″ relato quase duas dezenas de casos de cobertura da mídia em que o “efeito manada” produziu erros gigantescos.Aparentemente, não se aprende. A mais nova reedição do caso “Escola Base” está na cobertura do acidente com o Airbus da TAM, que vitimou mais de duzentas pessoas; o “japonês” do acidente aéreo foi um morto que não podia se defender: o piloto.

Com o choque inicial, logo após o acidente passou-se a uma busca frenética por culpados. Em um primeiro momento concentrou-se no governo, na pista de Congonhas, na falta de ranhuras no asfalto.

Deixou-se de lado o jornalismo para se ficar numa ladainha única, em que nenhuma outra hipótese era investigada. E essa algaravia escondeu outras interpretações comentadas por especialistas, mas que não chegavam às páginas dos jornais.

***

Nos poucos momentos em que se permitiu um pouco de jornalismo, descobriu-se que o avião em questão estava com o chamado reverso pinado – um reverso inoperante. Reverso é um sistema inverte o empuxe do motor, ajudando a frear a aeronave.

Seguiu-se um festival de explicações “técnicas”, de que o reverso não era relevante, que seria apenas um luxo a mais nas aeronaves, que importante eram os freios e “spoilers”.

Quando a caixa preta (que grava as conversas na cabine) foi enviada para os Estados Unidos, acompanhada por uma comitiva de deputados, o discurso começou a se inverter. De repente, o reverso passava a ser importante porque, quando não está em funcionamento, exige uma nova posição dos manetes (os instrumentos que permitem ao piloto controlar a altura da aeronave). Se, na hora de pousar, o piloto não muda a maneira tradicional de colocar os manetes, os instrumentos eletrônicos de bordo interpretam como se ele estivesse querendo decolar. Em vez das turbinas reduzirem, elas aceleram.

***

Ora, havia duas explicações para eventuais problemas com os manetes: ou erro humano ou problemas mecânicos. Sendo a segunda hipótese, estariam comprometidas a TAM, as autoridades aeronáuticas e, provavelmente, a Airbus.

Aí se viu na cobertura uma mudança de rota inacreditável. Publicação capaz de atribuir ao governo responsabilidades até das precipitações pluviométricas, passaram a encampar a tese do erro humano, poupando as autoridades e sequer mencionando responsabilidades da TAM. O culpado passou a ser um morto, que não podia se defender.

Com a divulgação dos diálogos registrados na cabine, muda o quadro. Um piloto alerta o outro que o reverso esquerdo estava paralisado; o outro concorda. O que significa que pousaram sabendo como proceder. Nos diálogos, descobre-se que o “spoiler” – um sistema de frenagem mais potente que o reverso – não funcionou,que os freios provavelmente não funcionaram. Pode ter sido erro dos pilotos? Pode, mas numa probabilidade muito baixa.

***

Semanas de cobertura intensiva desmentidas, todas as afirmações peremptórias desmascaradas, a voz do morto, saindo dos arquivos da caixa preta para absolvê-lo.

Como ficamos? Como fica o jornalismo?

Tem que haver limites para o show.

Para incluir na lista Coluna Econômica

enviada por Luis Nassif
(comentar) | (envie esta mensagem) | (link do post)01/08/2007 08:19A marcha da insensatezColuna Econômica – 01/08/2007Essa atoarda da chamada grande mídia em relação à situação do país está extrapolando os limites do razoável.Faço parte do grupo de analistas que julga que o país está perdendo a maior oportunidade da história. Falta plano de vôo, pensamento estratégico, sucumbiu-se aos desígnios do mercado, deixou-se iludir e não se aproveitaram as oportunidades extraordinárias trazidas pelo boom da China.

Mas não é disso que os grandes jornais se queixam. Pelo contrário, têm aprovado incondicionalmente essa política econômica que permitiu aos detentores de capitais, nesse primeiro semestre, um dos maiores ganhos da história, e que continuou consumindo parcela expressiva do orçamento público em detrimento dos investimentos.

***

No entanto, desde o acidente com o avião da TAM – que, ao que tudo indica em decorrência de problemas técnicos e/ou falha humana – parece que nada funciona no país. Como assim?

É facílimo manipular a opinião pública, ainda mais quando se juntam veículos com poder de mercado.

Se se quiser medir o poder de manipulação da informação, montem-se dois grupos de leitores. Alimente-se o primeiro com noticiário exclusivamente negativo. Não precisa ir muito longe. Se um brigadeiro diz que a pista de Cumbica está ruim, e todas as associações de pilotos e usuários dizem que não, dê destaque apenas à declaração do brigadeiro. Em cada Ministério será possível encontrar falhas que, colocadas em manchetes, joguem quaisquer méritos para segundo plano.

Ao segundo grupo, forneça apenas notícias positivas. Fale dos superávits da balança comercial, como se nada tivesse a ver com efeito-China. Celebre a apreciação do câmbio, como se fosse sinal de saúde da economia. Mostre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o PAC da Tecnologia, o PAC da Saúde, o PAC da Educação. Destaque os recordes sucessivos do setor imobiliário, o bom desempenho da indústria de máquinas e equipamentos, e esconda todos os setores que estão sendo dizimados pelo câmbio.

O primeiro grupo achará que tudo está perdido e o segundo que o país está à beira do paraíso. Toda essa diferença em cima de uma mesma realidade, valendo-se apenas do poder de manipulação da informação.

***

Quando se tem equilíbrio, se mostra o certo e o errado, passa ao leitor objetividade e, ao governo, pressão certa. Analisa-se um problema localizado e cobra-se a sua solução.

Quando se cria essa zorra em que, aparentemente, nada funciona, a intenção não é resolver nada. Ao leitor desnorteado por tantos problemas apresentados simultaneamente, sem nenhuma proposta de solução, a única alternativa que ocorre é mudar tudo. Como? Pedindo a cabeça do responsável maior pelo suposto caos: o Presidente da República.

Aí se geram dois efeitos simultâneos, ambos radicalizantes. De um lado, um público indignado, querendo a cabeça do presidente. Do outro, um público indignado, querendo o fígado da mídia.

Pior: quando a crítica ao Lula extrapola e assume ares de campanha sistemática, desarma todas as críticas relevantes que deveriam ser feitas aos inúmeros problemas reais que existem na administração pública.

Até onde irá essa marcha da insensatez, não sei.

Para incluir na lista Coluna Econômica

enviada por Luis Nassif
(comentar | 56 comentários) | (envie esta mensagem) | (link do post)

Fábio Gomes Goveia

Coordenador do curso de Comunicação Social

Faculdade Novo Milênio

(27) 3399 5582

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